Por aquela rua madrugada chuvosa caminhei sem lembrar que o mar a minha espera, depois da esquina, era carioca. Esqueci as chaves de casa e o cansaço do dia todo. corria em minhas veias uma solução saturada de vodka...o medo abandonei no balcão junto a rodela de limão da segunda dose. a vodka era a coragem no sangue, a vontade de andar, andar, andar...
Não fazia mais sentido me incomodar com a chuva fina, parei de pular as poças d’agua. andava coração à deriva, tênis furado na sola. no segundo passo acumulava mais agua nas meias que em todo o chão de copacabana molhada. casaco e calcas jeans... coisas confortáveis para os invernos secos. Tecido azul grosso absorvendo a chuva feito esponja e o vento congelando meus pulmões enquanto o resto do Rio dormia.
A única escolha era não resistir e entrar em equilíbrio térmico com a madrugada que me queria abraçar. era o mesmo carinho áspero das mãos de meu pai. nada doce, nada confortável, mas ainda assim um carinho. ela me amava e eu me entreguei...
o dia amanheceu e voltei para casa com quilos de areia molhada nos pés e de saudade arranhando os olhos.
Hoje, só o mar entende a minha ressaca.
Um comentário:
No asfalto está escrita a minha.
saudade.
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