Ah,meu amor...não quero te consumir.Não tenho interesse em te extinguir,nem me acabar por você. Proponho que consumemos, apenas.Nada de sufoco,nada de agonia,nada de morrer afogado fora da água. Quero viver, sem me debater, sem asfixia. Cansei de investir meu tempo em amores asmáticos.
As coisas podem funcionar bem tranqüilas,seguras. Essa coisa de entrar num carrinho de supermercado correndo ladeira abaixo é até divertida,por pouco tempo.Logo a bunda começa a doer, os ferrinhos machucam os braços, a falta de freio começa a apavorar, o fim da linha se aproxima rápido de mais e a idéia de bater de frente com um caminhão não me agrada nenhum pouco. Com o tempo, a risada vai dando lugar aos gritos desesperados e quem olha de fora pensa que é brincadeira inconseqüente, nem tenta ajudar, mesmo que tentasse,não adiantaria muito.
Mas não é porque a brincadeira acabou,perdeu a graça, que precisamos voltar para casa assim,frustrados,arranhados, sozinhos. Vem andando comigo,sem tanta pressa.A gente vai conversando pelo caminho, sem ver o tempo passar, olhando para os lados ao atravessar a rua, esperando o sinal ficar verde para pedestres, fumando um cigarro antes do ônibus chegar.
Vai ser divertido,eu garanto!
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