Naquele dia ,numa rede na varanda, sentindo os respingos de uma chuva rala, tive certeza de que tinha encontrado o amor da minha vida. Aquela sensação de que estava faltando alguma coisa, desapareceu. Foi uma espécie de reencontro cósmico.Uma dessas coisas imbecis que a gente acredita,quando se apaixona loucamente por alguém.Mas eu senti como verdade, e me senti correspondida.
Tudo contribuía para aquela constatação.A luz e o cheiro das velas de canela espalhadas pela sala.Os seus olhos pequenos,brilhando. O meu romantismo adolescente,tardio. Aquele tesão e propensão a entrega total.Enfim...
Acreditei naquilo, numa intensidade surreal. Resolvi oferecer, absolutamente, tudo o que existia de vida em mim. Esqueci que existia qualquer coisa que não fosse aquilo,que não fosse você, que não fosse o que eu sentia por você.
È impressionante,como os extremos estão próximos. O momento que me trouxe a felicidade mais plena,de que me recordo, é o que me faz chorar com mais vontade,mais dor.
Tudo acabou, e eu continuo sentindo dificuldade em acreditar que não vai ser para sempre.Uma burrice,sem tamanho. Padeço desse torcicolo existencial, que me faz ficar olhando para trás. Tantos meses se passaram, e um dia sem você, ainda me parece um absurdo.
Preciso falar a verdade! Tenho a impressão de que continuo sentindo,alimentando essa dor de cotovelo, por um egoísmo narcisista cretino. Uma desculpa para o meu alcoolismo brando. Porque ,se bêbada, escrevo e desabafo. De que vale um bêbado sem um desabafo comovente?De nada....è só mais um bêbado. Precisa-se de uma desculpa convincente para secar duas garrafas de vinho numa quinta-feira que não é véspera de feriado cristão.Mesmo não sendo cristão,nem budista, nem porra nenhuma que envolva dogmas ou liturgias. Deve ser isso,afinal. Toda essa pataquada hipócrita, de ter que arranjar desculpa para se entregar , em dias úteis, ao prazer de um pilequinho vulgar. Isso que me lava a manter você, por tanto tempo, aqui dentro. É a minha desculpa mais interessante.
4 comentários:
Huuuuuuuuuum...vc andou pensando tanto,heim?
sabe,xu...
não foi vc quem mais perdeu.
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Eu sei fui de uma idéia q devemos viver para si e amar somente nossa família, são as unicas pessoas q merecem nossas lágrimas..bjos
Eu lembro de uma tarde no shopping em que vc me falou das velas de canela e de impressões de interação cósmica. Mas as coisas são assim, lembra, "tudo que é sólido se desmancha no ar", nesse caso Marx explica, um bj!
Cara Jaque, não me conhece e por algum motivo cheguei ao seu blog, adorei a intensidade das coisas que escreve, intensidade está que parece ser a coisa que mais chama atenção em ti, mas que em contrapartida é quase uma escravidão, consentida é claro. Desejo que vc tenha sorte no seu caminho e que descubra que amar pode ser sinônimo de outros sentimentos. Um abraço!!!
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