quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Por isso que eu gosto de Gente!

Nessa minha vida maluca errante-acertante , sigo sempre em busca de pessoas que me inspirem, que me decepcionem, me apaixonem, me matem, me tragam a vida ,o viço, a coragem, os medos, me façam enxergar algo alem do meu umbigo e a ponta do nariz que separa os meus olhos. Preciso desconhecer os outros, para me reconhecer, constatando sempre diante do não-eu, quem, afinal, sou eu. Só não preciso dos outros para me ver, quando me coloco diante do espelho e como não é possível estar sempre olhando para o espelho, vou fazendo esse jogo dos 7 erros. Observando o mundo alheio,analisando sentimentos que não me pertencem e assim, tentando descobrir o que é meu, o que sinto, o que sou eu, o que me faz sentido e o que me faz sentir.
Vou somando, me subtraindo, dividindo, multiplicando possibilidades de existir, coexistindo. É a única matemática que me permito exercitar,porque o calculo nunca é exato, absoluto,simétrico.
As vezes as pessoas me levam a loucura, me arrancam o chão, acionam a minha labirintite existencial. Aos berros, e ao som de Chico, volto gradativamente ao meu eixo, mesmo sem conhecer o equilíbrio. A confusão acontece quando não consigo separar o externo e interno, onde me acabo e começa o outro, mas onde acaba o outro sei que me começo.Sempre que me acabo, olho em volta, respiro fundo, espero o sol voltar...e me reconstruo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Auto retrato,ou releitura de um dilema.

Usava uma canga vermelha,biquíni azul, um brinco de penas de papagaio numa orelha e argola na outra. A pele queimada num bronzeado eterno, um rayban gigante no rosto, um sorriso meio cínico nos lábios e aquele andar de quem veio à vida a passeio, mas tem pressa em chegar não sei aonde,nem sei porque.Andava rápido,só para não perder o costume, ou porquê em passos acelerados era mais fácil andar em linha reta e dissimular o medo de ir em frente.
Era insegura, mas disfarsava direitinho. Ninguém chegava a perceber, só se chegasse muito perto. Quando digo “muito perto”, falo de uma proximidade intra-uterina.Caso entrasse daquele jeito,que derruba todas as defesas, que faz abaixar as armas. Nunca fui muito boa com armas,mas atuava bem, blefava como ninguém. Era capaz de empunhar um revolver com tambor vazio, e convencer que se ouviria um estampido a qualquer momento.
Não era de praticar esportes, sempre preferi os vícios, a cerveja, as mesas de bar, as paixões ofegantes, as conversas bêbadas. Durante um tempo,houve a tentativa de exercícios aeróbicos pelas manhãs de sol, na areia da praia. O problema é que as segundas não contavam, as quartas estava de ressaca e as sextas tinha qualquer coisa melhor para pensar e me preparar psicologicamente.
Já naquela época, estava com o coração fodido.É mais agradavel ficar fodido ouvindo o barulho do mar e com os rostos conhecidos pelos bares da cidade. É mais fácil quando se sabe aonde ir e quem encontrar.
Agora,aqui, sem mar,sem os queridos amigos bêbados poéticos,sem poder passar o dia num biquíni azul e canga vermelha, distante das paixões morenas que me consolavam,tenho que fazer uma escolha difícil: descobrir um jeito de sarar esta ferida, ou viver me lamentando,ciberneticamente, pelas sacanagens da existência.
Alguém tem uma sugestão?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

É só o que tenho.


Queria poder te oferecer muito mais do que um quarto de motel barato,meu corpo,minhas mãos, uma noite apenas. Queria poder te dizer muito mais do que te digo, as historias de um passado recente, esses lugares por onde passei chorando, onde deixei aquelas pessoas que sinto saudade. Adoraria conseguir te mostrar muito além dessas cores desbotadas dos meus quadros na parede. Eles já foram bem mais bonitos, numa época em que o sol brilhava forte e eu não tinha estes olhos tristes para ver, nem essa saudade para sentir.
Juro, que se eu me tivesse, te entregaria.Mas não me tenho,por enquanto.Não sei até quando,talvez demore, ou seja questão de pouco tempo.Não faço idéia.
Então, não me espera. Segue andando, que vou no meu tempo continuar a minha busca. Quem sabe a gente se encontre, um dia?Quem sabe, se esse dia chegar, vou poder corresponder as suas expectativas... Ou no caminho, você já tenha encontrado alguém mais adequado ao seu sonho. Alguém que não seja assim, uma sombra errante/ pensante que só tem interesse pelo teu corpo, tua lingua,tua pele, e não na tua alma, por isso evita teus olhos.
Acredite, não sou quem você procura,não se engane assim,não há nada aqui para lhe encantar. Isso, em minha pele não é uma tatuagem, é uma cicatriz. Não há beleza nessas marcas.
Contentemo-nos com o prazer simples do sexo eventual, sem ilusões, sem futuro, sem buscar o amor arbitrário dos romances, porque ,infelizmente, é só o que posso oferecer.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Se for ler,leia até o fim!

Naquele dia ,numa rede na varanda, sentindo os respingos de uma chuva rala, tive certeza de que tinha encontrado o amor da minha vida. Aquela sensação de que estava faltando alguma coisa, desapareceu. Foi uma espécie de reencontro cósmico.Uma dessas coisas imbecis que a gente acredita,quando se apaixona loucamente por alguém.Mas eu senti como verdade, e me senti correspondida.
Tudo contribuía para aquela constatação.A luz e o cheiro das velas de canela espalhadas pela sala.Os seus olhos pequenos,brilhando. O meu romantismo adolescente,tardio. Aquele tesão e propensão a entrega total.Enfim...
Acreditei naquilo, numa intensidade surreal. Resolvi oferecer, absolutamente, tudo o que existia de vida em mim. Esqueci que existia qualquer coisa que não fosse aquilo,que não fosse você, que não fosse o que eu sentia por você.
È impressionante,como os extremos estão próximos. O momento que me trouxe a felicidade mais plena,de que me recordo, é o que me faz chorar com mais vontade,mais dor.
Tudo acabou, e eu continuo sentindo dificuldade em acreditar que não vai ser para sempre.Uma burrice,sem tamanho. Padeço desse torcicolo existencial, que me faz ficar olhando para trás. Tantos meses se passaram, e um dia sem você, ainda me parece um absurdo.
Preciso falar a verdade! Tenho a impressão de que continuo sentindo,alimentando essa dor de cotovelo, por um egoísmo narcisista cretino. Uma desculpa para o meu alcoolismo brando. Porque ,se bêbada, escrevo e desabafo. De que vale um bêbado sem um desabafo comovente?De nada....è só mais um bêbado. Precisa-se de uma desculpa convincente para secar duas garrafas de vinho numa quinta-feira que não é véspera de feriado cristão.Mesmo não sendo cristão,nem budista, nem porra nenhuma que envolva dogmas ou liturgias. Deve ser isso,afinal. Toda essa pataquada hipócrita, de ter que arranjar desculpa para se entregar , em dias úteis, ao prazer de um pilequinho vulgar. Isso que me lava a manter você, por tanto tempo, aqui dentro. É a minha desculpa mais interessante.

TRiiinnnnnnn...tRiiinnnnnnnnnn...tRiiinnnnnnnnnnnn.....


-Alô?!
-Alô, a jaque se encontra?
-Olha, não me encontrei ainda,não...mas pode falar, que eu to ouvindo...

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Deu nisso.

Quando você saiu, tranquei as portas, fechei as janelas e as cortinas por tanto tempo...Cheguei a esquecer como era lá fora.
A saudade foi inundando aqui dentro.Fiquei sem tv, sem som, sem vontade, sem você. Morri, quebrei!
Um dia, resolvi começar a recolher você das paredes, estantes,gavetas.Vasculhei todos os cantos.Varri as lembranças que ficaram espalhadas pelo chão da casa. Limpei suas cores estampadas no meu corpo. Gastei todo o meu dinheiro em analgésicos, álcool, cigarros e papel higiênico.
Um dia encontrei um caco de mim, embaixo da cama.Comecei a catar os caquinhos que fui encontrando pelos cantos. Fui colando os pedaços, fazendo um mosaico estranho, tentando reconstituir de acordo com a vaga lembrança que guardei de mim, de quem eu era antes de ser “o seu amor”.Hoje, sou essa colagem, quase uma tela cubista. Irreconhecível, mesmo para os amigos mais próximos. As opiniões se dividem, alguns acham o resultado meio feio, ou gostam das cores, outros acham que é poesia, muitos acham agressivo.
Tenho passado horas na frente do espelho, tentando me familiarizar com essa nova forma fragmentada. Procurando descobrir onde, nesse quebra-cabeça, coloquei meu coração. Sei que deve estar aqui, em algum lugar, já consigo até escuta-lo batucando baixinho.Assim que o encontrar, vou começar a procurar o meu sorriso, que há tempos não vejo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

vou tentar,eu juro!

Umbora¹ melhorar o astral dessa joça ,aqui!
Chega de tanta lamúria, tanta agrura!
“Andar com fé,eu vou, que a fé não costuma faiar...”

Sei que não sou assim,pesada.Esses últimos meses tem me mostrado como é doer,mas a vida não é isso,sempre.Não quero me viciar nessa freqüência de sofrimento.
O sol continua nascendo, o mundo continua cheio de gente. Quero me projetar para outra realidade,menos desbotada.
Vou tentar novamente. Pena, que sem tristeza não se faz samba...Mas eu nunca quis ser uma grande sambista,mesmo.
Está aberta a nova temporada, em que a mortal ,aqui, vai se esforçar para engrossar o coro dos contentes...


*¹ Umbora: do baianês legítimo.Variação da expressão “vamos embora”. rsrsrs

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Estilhaços de vidro

Estou beirando a loucura
Pensamentos estranhos fluem
E minha cabeça surta em ritmo descomunal
Será que já é hora?
Será que você chora?
Tic-tac tic-tac tic-tac tic-tac tic -tac
Ah não, mais um tic-tac para me atormentar
TIC-TAC TIC-TAC TIC-TAC
Ele não para…Ahhhhh
Não, ainda não é hora.
Fique aqui comigo
Só mais um dia, só mais um minuto (que seja!)
Faça minha vontade ao menos uma vez
Sinto o sangue correr pelas minhas veias
Ele segue em disparate rumo o desconhecido
Mas não pode, ele não pode!
Não quero mais esperar-te
Estou de saída
Encontrar minha sanidade
Um grito ensurdecedor;
Estilhaços de vidro no chão
Silêncio.
(poema de Bruna Maria das borboletas.)

Só mais um dia em que tanto faz!

Acordei, com o habitual desanimo matinal dos últimos meses. Demorei a criar coragem para levantar da cama. Olhei o relógio, sem prestar atenção nos ponteiros. Pouco me importava se estava atrasada, ou não. Levantei-me, sentindo as costas doerem, as pernas sem força, o incomodo de sempre no pescoço. Apanhei o maço de cigarros em cima da TV, o isqueiro na mesinha de cabeceira e dei “bom dia” aos meus pulmões.
Apoiada no parapeito da janela, sentia a fumaça queimando a garganta, e gerando aquela tontura característica do primeiro e mais prazeroso cigarro do dia. Já era quase meio dia, o cheiro das panelas da vizinha invadia minhas narinas, mas não despertava minha fome, talvez curiosidade,mas fome não sentia.Terminei meu cigarro,joguei a bituca pela janela e fui tomar um banho, para acordar de verdade.
Mais uma segunda-feira...volto a embarcar nesse trem rumo ao lugar comum, para mais um dia igual, lotado de pessoas normais.As mesmas caras desconhecidas por todos os lados.Vozes enfadonhas inundando os meus ouvidos.Quando vou me acostumar com esse sotaque cheio de “rl” nas “porltas” , “terlças” e “carlnes”??