imagens que impregnaram na memória. um estimulo besta qualquer e o tempo volta, tudo é agora. bastou sentir o cheiro da chuva misturado a fumaça do baseado queimado queimando e tudo veio à tona. uma bolha no dedo, olhos parados na luz do poste. vi o jeito que os teus lábios cobriam polegar, indicador e a ponta da seda branca. amava tanto a tua boca. suficiente para voltar ficar e nunca mais arredar pé dali. passei. ali parada, tempo demais. toda a minha vida. todas as minhas vidas em troca daquela tua boca. minha boca. você preferiu partir e foi. eu quadrada, por tanto tempo chapada , caminho de tanta dor. cotovelos sangrando até o fim da adolescência tardia e a casa dos vinte passar da metade.
passei da metade.
vi tua boca e ela já não dizia nada. tão falante. protagonista de tantas aventuras, tão venturosa.
Meu engano mais bonito, só tua boca é mais bela e mentirosa.
.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
azul
Por aquela rua madrugada chuvosa caminhei sem lembrar que o mar a minha espera, depois da esquina, era carioca. Esqueci as chaves de casa e o cansaço do dia todo. corria em minhas veias uma solução saturada de vodka...o medo abandonei no balcão junto a rodela de limão da segunda dose. a vodka era a coragem no sangue, a vontade de andar, andar, andar...
Não fazia mais sentido me incomodar com a chuva fina, parei de pular as poças d’agua. andava coração à deriva, tênis furado na sola. no segundo passo acumulava mais agua nas meias que em todo o chão de copacabana molhada. casaco e calcas jeans... coisas confortáveis para os invernos secos. Tecido azul grosso absorvendo a chuva feito esponja e o vento congelando meus pulmões enquanto o resto do Rio dormia.
A única escolha era não resistir e entrar em equilíbrio térmico com a madrugada que me queria abraçar. era o mesmo carinho áspero das mãos de meu pai. nada doce, nada confortável, mas ainda assim um carinho. ela me amava e eu me entreguei...
o dia amanheceu e voltei para casa com quilos de areia molhada nos pés e de saudade arranhando os olhos.
Hoje, só o mar entende a minha ressaca.
Não fazia mais sentido me incomodar com a chuva fina, parei de pular as poças d’agua. andava coração à deriva, tênis furado na sola. no segundo passo acumulava mais agua nas meias que em todo o chão de copacabana molhada. casaco e calcas jeans... coisas confortáveis para os invernos secos. Tecido azul grosso absorvendo a chuva feito esponja e o vento congelando meus pulmões enquanto o resto do Rio dormia.
A única escolha era não resistir e entrar em equilíbrio térmico com a madrugada que me queria abraçar. era o mesmo carinho áspero das mãos de meu pai. nada doce, nada confortável, mas ainda assim um carinho. ela me amava e eu me entreguei...
o dia amanheceu e voltei para casa com quilos de areia molhada nos pés e de saudade arranhando os olhos.
Hoje, só o mar entende a minha ressaca.
sábado, 18 de outubro de 2008
Cansei do teu céu cinza e de tua roupa preta. Cansei da tua cara pálida. Cansei das tuas fachadas , das tuas ruas. Cansei da tua falsa elegância, do teu charme monótono. Das tuas quatro estações no mesmo dia,cansei da tua primavera molhada. Cansei até das tuas flores. Da tua perfeição, tua organização, tua educação.
As calçadas que nunca me levarão ao mar. Estou exausta dos teus ares europeus. Não suporto mais os teus drogados nas esquinas. Não tolero mais os teus amantes nos bares, as tuas musicas preferidas. Não te pertenço, Curitiba.E não te quero para mim.
As calçadas que nunca me levarão ao mar. Estou exausta dos teus ares europeus. Não suporto mais os teus drogados nas esquinas. Não tolero mais os teus amantes nos bares, as tuas musicas preferidas. Não te pertenço, Curitiba.E não te quero para mim.
sábado, 11 de outubro de 2008
Vou explodir em mil cores. O azul dos olhos dela, o vermelho da minha vontade, o rosa do meu sonho, o roxo da minha saudade, o verde do meu tédio, o cinza do meu medo...irão inundar tudo!
Do Japão vai dar para ouvir o estampido de mil palavras e palavrões. Os que existem e os que só eu sei o significado ecoarão por toda a Terra.
Vou estourar, a qualquer momento! Estou avisando! Mesmo que pouco adiante, corra! Fuja! Enfie sua cabeça no chão!
Do Japão vai dar para ouvir o estampido de mil palavras e palavrões. Os que existem e os que só eu sei o significado ecoarão por toda a Terra.
Vou estourar, a qualquer momento! Estou avisando! Mesmo que pouco adiante, corra! Fuja! Enfie sua cabeça no chão!
domingo, 28 de setembro de 2008
T.P.M.
Quero sair por aí,gritando qualquer frase que traduza essa agonia. Quero expelir minha angustia nos parabrisas, subir nos telhados, cuspir fogo pelas esquinas. Vomitar meus palavrões na cara dos passantes. Rasgar a roupa e o verbo. Estampar a minha loucura nos muros da cidade.
Quero esquecer quem sou eu. De que me adianta lembrar, e não saber?Quero assumir o descontrole.Desidratar de chorar.
Sufocar,soluçar , correr, cair, sumir.
Quero esquecer quem sou eu. De que me adianta lembrar, e não saber?Quero assumir o descontrole.Desidratar de chorar.
Sufocar,soluçar , correr, cair, sumir.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
....até o proximo carnaval
Só queria contar a ela que nem toda paixão se consuma. Só queria explicar que nem toda paixão nos consome. Fazê-la entender que nem toda paixão dói, ou destrói. E quando dói, não mata. Quando destrói, quebra só um pedacinho, e uma hora acaba sarando. Que pode acontecer qualquer coisa, ou nada. E que a dúvida é o tempero dessa maluquice que a gente costuma chamar de vida.
Falar para não sentir medo sem motivos, mas quando não conseguir evitar os fantasmas, que fique quietinha, não pense em nada, e espere o dia amanhecer. E para nunca esquecer de que com a luz do sol, todos os fantasmas vão embora. E se um dia, o sol não resolver... é só me chamar!
Falar para não sentir medo sem motivos, mas quando não conseguir evitar os fantasmas, que fique quietinha, não pense em nada, e espere o dia amanhecer. E para nunca esquecer de que com a luz do sol, todos os fantasmas vão embora. E se um dia, o sol não resolver... é só me chamar!
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
"Fortalece aí,meu coração"
E finalmente acabou...
A tua cara amarrada, a minha frustração, a espera interminável, a vontade de tudo se ajeitar, a duvida , a dor, o medo, a minha insistência, a tua ilusão, a minha ilusão...
Quando passar o alívio...
Por um tempo, vai insistir a saudade, vai existir o subjuntivo que nos assalta depois de qualquer fim, trazendo todos os “e ses” das hipóteses mais românticas. Vai surgir a fissura e o teu rosto ao por do sol, a ausência do teu corpo nas madrugadas frias.Vai crescer um buraco negro gelado no colchão.
Vou levar apenas uma toalha para o banheiro, preparar apenas um xícara de café com leite e o primeiro rosto que verei será o meu. Vou ouvir só os meus passos pela calçada. E todas as certezas que me conduziram irão se desfazer. Vou ficar com medo. Vou lembrar do que havia de melhor e duvidar da minha sanidade.
A tua cara amarrada, a minha frustração, a espera interminável, a vontade de tudo se ajeitar, a duvida , a dor, o medo, a minha insistência, a tua ilusão, a minha ilusão...
Quando passar o alívio...
Por um tempo, vai insistir a saudade, vai existir o subjuntivo que nos assalta depois de qualquer fim, trazendo todos os “e ses” das hipóteses mais românticas. Vai surgir a fissura e o teu rosto ao por do sol, a ausência do teu corpo nas madrugadas frias.Vai crescer um buraco negro gelado no colchão.
Vou levar apenas uma toalha para o banheiro, preparar apenas um xícara de café com leite e o primeiro rosto que verei será o meu. Vou ouvir só os meus passos pela calçada. E todas as certezas que me conduziram irão se desfazer. Vou ficar com medo. Vou lembrar do que havia de melhor e duvidar da minha sanidade.
Assinar:
Comentários (Atom)