imagens que impregnaram na memória. um estimulo besta qualquer e o tempo volta, tudo é agora. bastou sentir o cheiro da chuva misturado a fumaça do baseado queimado queimando e tudo veio à tona. uma bolha no dedo, olhos parados na luz do poste. vi o jeito que os teus lábios cobriam polegar, indicador e a ponta da seda branca. amava tanto a tua boca. suficiente para voltar ficar e nunca mais arredar pé dali. passei. ali parada, tempo demais. toda a minha vida. todas as minhas vidas em troca daquela tua boca. minha boca. você preferiu partir e foi. eu quadrada, por tanto tempo chapada , caminho de tanta dor. cotovelos sangrando até o fim da adolescência tardia e a casa dos vinte passar da metade.
passei da metade.
vi tua boca e ela já não dizia nada. tão falante. protagonista de tantas aventuras, tão venturosa.
Meu engano mais bonito, só tua boca é mais bela e mentirosa.