Saudade daquele vento à beira mar e do barulhão que faz nas orelhas.Que por mais frio que estivesse nunca congelava os ossos, diferente do que faz o vento polar dessas terras ao sul. Saudade da areia da praia massageando os meus pés, do barulho das ondas, da cor de lá, as risadas de lá, as pessoas de lá...
Ai!....essa saudade vaga-lume, saudade soluço que vem quando eu menos espero, me da um soco, me causa uma dor intensa e de repente se dissipa.Eu me distraio com alguma coisa, esqueço que não quero esquecer e o passado volta para lá, me deixa em paz por algum tempo. Não demora, volta aquela sensação de que estou esquecendo alguma coisa.É a mesma impressão que nos assalta quando estamos saindo atrasados de casa e começamos a conferir se pegamos tudo o que vamos precisar... “chave de casa, chave do carro, os documentos, cigarro, isqueiro....putz! Tá tudo aqui,mas to sentindo que falta alguma coisa!Merda!”.Já não há tempo para voltar e procurar, ou ficar parado,esperando lembrar.A única saída é arriscar dar conta do que seja, na rua, e se for uma coisa muito importante será um belo transtorno.
È assim que o passado me volta, começo a lembrar do que esqueci. Daí, me voltam os rostos, os cheiros, os sons, as cores, os carinhos, os risos, amores, saudade, saudade, saudade sem fim. Ela me sufoca, tenta me afogar, estrangular minha alegria, me enlouquecer por algumas horas...e depois passa, volta p dentro desse armário da quarta dimensão do meu quarto.
E eu sempre penso que aprendi a não sofrer, a não ficar vulnerável a isso, que ela não me pegará mais desprevenida. Pois é só tapar a respiração, beber água de cabeça para baixo, encher os pulmões de ar 3 vezes e esvazia-lo e contar até 20, tomar coca-cola, levar um susto, plantar bananeira....
Perda de tempo! Ela sempre volta,mesmo....
