quarta-feira, 16 de maio de 2007

De uma janela qualquer

Ficava de lá, observando os passos dela.Não cheguei a descobrir se ela trabalhava, ou morava ali por perto.
O jeito que passava a mão no cabelo, sempre que parava na beira da calçada para se certificar de que poderia atravessar a rua. Nunca entendi aquele gesto. Ela reproduzia o mesmo movimento todos os dias, no mesmo lugar. Enquanto esperava o carro passar, arrumava os cabelos...O interessante é que não parecia se preocupar com o penteado, até dois passos antes dalí. Adorava ficar imaginado o que passaria pela cabeça dela. Aquele jeito requebrante com que andava, e parecia saber que eu a observava. A primeira vez que a vi foi numa segunda feira branca, tediosa. Estava escrevendo ha muitas horas, resolvi parar e fumar um cigarro, fui até a janela e lá estava ela...Parada, exatamente naquele paralelepípedo abençoado da calçada, passando a mão nos cabelos e segurando a saia com a outra mão,pois um vento inconveniente tentava a todo custo levanta-la...Nem o risco de apresentar sua calcinha para toda a rua, a faria desistir de ajeitar os cabelos...Estranho, isso,ne?